segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Rumbê: Educaçao no candomblé.

"Bom filho é aquele que possui o Rumbê "
O Rumbê nada mais é do que o conjunto de regras de boa convivência, usadas dentro dos terreiros de candomblé, e sendo assim usa a hierarquia como base para sustentar a ordem.
Este é um texto explicativo para todos aqueles que fazem parte do segredo e todos que estão conhecendo nossa cultura, conhecendo nosso universo que vai além de toques e magias.
É um mundo baseado no respeito e na hierarquia que é o pilar de nossos Axés.
Dentro de nossa cultura seguimos um sistema hierarquico, assim como seguimos em nossas famílias carnais. A tradição e a educação são fundamentais para o sustento da família, seja ela carnal ou espiritual.
É de certo que seguir as regras e respeitar os mais velhos é um costume não somente hierárquico mas também, de demonstração de humildade e resiliência.
Respeitar a nossa nova família é uma mostra de boa educação e também ajuda a convivência dentro de nosso axé. Cada filho tem seu temperamento e isso vai além de respeitar cargo porquê quando estamos dentro do axé o respeito é para com os orixás!
As desavenças ficam fora dos portões e a bênção pedida é troca de afeto e respeito de orixá a orixá.
Respeite para ser respeitado!
Essas dicas cabem em qualquer lugar, elas cabem para abians, yawôs, egbomis, ekedjis, ogans, sacerdotes e todos que de alguma forma fazem parte do culto ancestral.
Para além da hierarquia é necessário também o uso do bom senso, da postura, da sabedoria, pois o conhecimento cabe a todos, dos mais novos aos mais velhos, em todas as nações.

LEMBRE-SE: O QUE EDUCA NÃO SÃO AS CRÍTICAS E SIM OS EXEMPLOS!

Agibonã.

MÃE CRIADEIRA.

Tem uma função especialíssima dentro de um axé. Ela representa a Iemanjá de cada roncó. É ela quem prepara esse filho, esse adolescente iniciado digamos assim para o futuro. É ela quem impõe, que implanta a hierarquia, o respeito pelo axé, o comportamento de sala, o comportamento de um Iyawo, quer dizer, normalmente um Iyawo descompreendido, que é o termo que se usa, está ofendendo no caso a mãe criadeira dele, porque o Iyawo mal criado significa que ele teve uma má criação. Muitas vezes, a mãe criadeira não é vista com muita simpatia pelo Iyawo, porque ela tem que ser rígida, tem que ser rigorosa, ela tem que cobrar posicionamento, ela tem que cobrar milhares de paós, ela tem que cobrar toda uma postura de Iyawo; porque a grande verdade é que quem não sabe ser um Iyawo, jamais será um bom zelador, porque a base de um bom zelador, é ter sido um bom Iyawo.
Então, a função da mãe criadeira é justamente essa, além de cobrar a parte cultural do axé que são as rezas do roncó, rezar com o Iyawo pela manhã, ao meio-dia, na chegada da noite e cobrar a presença do Orixá também nos momentos específicos, porque cada sequencia de rezas, tem um momento que o Orixá se manifesta, o Orixá se faz presente, e é ela que tem que polarizar essa permanência ou essa chegada do Orixá no Iyawo, acompanhar o seu desenvolvimento com o seu próprio Orixá, porque esse período de 21 dias é todo um processo de encontros, de desencontros, de roupagem cultural, e ela que passa todo esse processo para o Iyawo, ou seja, ela tem uma função especial.
Não é justo colocar uma pessoa sem base cultural para criar um Iyawo. O ideal é, cada casa, cada axé ter uma Iyarrunsó ou Mãe Criadeira específica, mas lamentavelmente requer tempo, requer abdicar-se de uma vida familiar, porque todo ser humano tem que ter sua prole, seu marido, seus filhos e muitas vezes não pode ficar 21 dias ou mais, porque na realidade fica mais que 21 dias, porque ela só deixa o axé quando o Iyawo sai e vai para a sua casa, e mesmo assim, na realidade é ela quem deve levar o Iyawo para a casa dele, juntamente com o zelador se isso se fizer necessário. Hoje a coisa ficou deteriorada devido à evolução, devido a simplificar muitas coisas, mas deteriorou-se muito porque antigamente a mais ou menos 25 à 30 anos atrás, era levado o Iyawo para casa.   A mãe criadeira chamava o Orixá do Iyawo na porta, na entrada da casa, apresentava as dependências da casa para o Orixá. Muitas vezes, a mãe criadeira ia até a casa do Iyawo antes de sua chegada para defumar, para colocar quartinhas com água do lado de fora do portão, era tudo muito bonito e tudo funcionava mais. Tinha-se mais Iyawo qualificados, pois a mãe criadeira, ela acompanha o Iyawo durante todo o período de Kelê, porque na realidade, o compromisso da Iyarrunsó, a mãe criadeira,  não termina quando o Iyawo dá o Orunkó no salão. O compromisso dela só termina quando o Kelê do Iyawo cai e daí então ela é chamada novamente para acompanhar o seu Bori, suas obrigações intermediárias, quer sejam elas quais forem, ela acompanha, ela faz parte, ela tem uma função muito importante na criação desse Iyawo, até ele virar um Egbomi.
O zelador de santo não tem tempo e não quer esse compromisso de ficar dentro de um roncó tomando reza de Iyawo, tomando cultura de Iyawo, tomando paó, como é que se dá um adobá, ensinando a dar um ginká, mostrando e fazendo os ensaios básicos que tem que ser feito para as saídas, fazendo o seu bengüe, dando as maiongas, enfim, cuidando do Iyawo, como se fosse seu próprio filho. Lamentavelmente nós temos por aí, muitas mães criadeiras desrespeitadas dentro de um axé, porque a elas infelizmente não delegaram os poderes que a elas pertencem.
Hoje, pegam-se para mães criadeiras, Iyawos como se fossem acompanhantes, como se fosse uma dama de companhia para o Iyawo e aí fica lá dentro do roncó de conversa fiada, jogando conversa fora, muitas vezes até quebrando podres indevidos e aí lamentavelmente, o Iyawo sai sem um pingo de cultura, sai sem um um comportamento de axé adequado. e muitas vezes depois que tira seu Kelê, com menos de um ano de santo, já estão dando pião na casa dos outros, já estão frequentando candomblés de todo mundo, e aí quando se vê está o Iyawo estragado, e é uma pena, pois é um trabalho longo, cansativo, dificultoso para o zelador e muitas vezes, por má qualificação de mães criadeiras, ou até mesmo por elas não terem oportunidade, porque na verdade, a maior preocupação de um zelador não deve ser a de por Iyawo para dentro se ele não tem quem crie adequadamente; é melhor que não coloque para dentro.
É preciso qualificar a Mãe Criadeira, é preciso saber se ela tem todas as rezas, se ela sabe as posições certas, se ela conhece a hierarquia do axé, se ela conhece como é a procedência do zelador, ela tem que ser que nem aquela mãe que fala com o filho: "Filho, olha o seu comportamento, olha seu pai vai chegar heim, daqui a pouco quando ele chegar, eu vou falar pra ele o que você está fazendo", aí o filho com medo da cobrança do pai, ele muda o seu comportamento. É mais ou menos por aí a função de uma mãe criadeira. Agora, colocar uma ninguém sabe tudo dentro do roncó, só terá Iyawo estragado. Esse Iyawo vai rodar, vai dar nome e vai se perder, porém a culpa não é só de quem cria. A culpa é de quem coloca uma pessoa qualquer para criar, afim de botar Iyawo para fora, quer botar o boneco para rodar e gritar Orunkó e sai com a cabeça vazia, sai desprovido de cultura e muitas vezes quizilado, sem fundamento nenhum, sem doutrina de sala, sem comportamento de Iyawo, pois o que anda acontecendo por aí, é Iyawo com menos de uma ano de santo, já não quer usar mucan, não quer usar senzala, já não quer abaixar a cabeça, já não quer mais tomar a benção aos egbomis, não quer tomar a benção aos Ogãs, as Ekédis, tudo porque não foi ensinado passo a passo para ele.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Fava de Aridan.

Aridan, àrìdan ou aridam é o nome de uma arvore de origem africana, cultivada no Brasil que produz frutos com o mesmo nome, seu nome científico é tetrepleura ou tetraptera. Fava de aridan como é chamado pelo povo de santo é um fruto sagrado "ewe orixa" que entra na maioria dos rituais do candomblé, principalmente nos ritos de Òdún Èjé, sasanha, abô e assentamento de orixá.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Odé Karê é um dos mais novos Odé.

Odé Karê é um dos mais novos Odé's do clã. Karê é tido como uma qualidade de Oxóssi, porém ele não é Oxóssi, mas sim um orixá distinto de seu culto. Lembrando que Oxóssi é o mesmo de Odé, porém, Odé significa caçador, então ele é chamado de Odé por ser caçador, e não um Oxóssi. Somente decende de seu clã. Muitos dizem ser uma reencarnação de Oxóssi, outros, o associa como seu pupilo.
Odé Karê é irmão gêmeo de Oxún Karê ( esta não sendo Oxún, porém faz parte de seu culto), filho de Iyamonjá Asessú. Segundo alguns contos, teria sido resultado de um feitiço que Iyamonjá havia feito para engravidar, assim jogou um obí, porém abriu um de seus olhos e o obí bateu numa pedra e se dividiu, metade caiu no rio, a outra caiu no chão da floresta. Assim engravidou e teve gêmeos. Este sendo Karêlê e Karêlesi, ou seja, Odé Karê e Oxún Karê. Outros dizem que seriam filhos de Iyamonjá com Erínlé.
Odé Karê é vaidoso, é rico e gosta de ostentar. Sua iguaria predileta é o akarajé, bolinho que aprendeu a gostar graças a Oyá. Sua roupa é o azul-claro, dourado e branco. Muito confundido com Logún-Edé, porém são individuos diferentes, mas, se dão muito bem pelo fato de serem parecidos. Seu fio é 6 contas azuis-claras e 2 douradas.
Gosta de perfumes, roupas, espelho e apetrechos de beleza. Seus olhos são azuis como o céu e seu cantar é lindo como de um sabiá.
Come juntamente á Oxún Karê no orí, assentasse Ogún,  Iyamonjá, Oyá e Oxalá.

Saudação:

Emí Karè Lè, Okè Árò Odé!!

sábado, 25 de novembro de 2017

As diferenças de Sángò e Àyrá.


Muitas casas tem o hábito de tratar Ayrá como se ele fosse um caminho de Sángò, mas isso é um equívoco.

Sángò é natural da província de Tapá, é filho de Oranian, neto de Oduduwá, usurpador do Trono de seu irmão Ajaká.

Àyrá é natural das terras de Abomé e Savé, filho de Yalujá e serviu como general na cidade de Oyó.

Sango tem poderes sobre os Raios e o Fogo. É marido de Oyá, foi casado também com Oba e Òsún. 

Àyrá tem poderes sobre os ventos, sobre o fogo e também pode se manifestar em água, foi casado com Òsún.

Àyrá era leal a Dadá Ajaká, o verdadeiro Alafin de Oyó. Quando Sángò toma a força o trono, Ayrá se põe contra ele, peleja e consegue destronar Sángò devolvendo o trono a Dadá.

Ayrá se veste de Branco e cores claras. 
Sango se veste de cores fortes, tons de vermelho e Marrom.
Ayrá usa um machado de apenas uma lâmina e a chave que ganhou de Osalá.
Sango usa um machado com a lâmina dupla e o seu Sere (xére).

Ayrá é louvado na festa "Fogueira de Ayrá", e Sángò é louvado na festa "Amalá de Sángò".

O assentamento de Àyrá fica no quarto de Osalá e Sango fica em quarto separado.

Àyrá é o protetor de Osalá, já Sángò erroneamente prendeu Osalá por sete anos nas masmorras de Oyó. Então somente Ayrá pode carregar Osalá, Sángò não é bem vindo.

Ayrá tem cantigas específicas, um culto específico.
Saudação de Àyrá: AYRÁ LÊ!

Saudação de Sángò: KAWO KABIECILE!


Jamais devem ser confundidos.


Asé!


domingo, 12 de novembro de 2017

Òrísá Regente 2018.

Olá Família Omífáláyò passando rapidinho para falar sobre os Òrísás regentes em 2018 em nosso Ilè Asé.

2018 = 11

11 = Áyrá

01.01.2018 = 13

13 = Nànà

Dia da semana = Segunda

Segunda = Èsú + Òbálùaíyè

Para nós, o ano será regido por Áyrá, Áyrá é o Òrísá da benevolência, em 2018 teremos grandes oportunidades de emprego, apesar do caminho "difícil", será um ano de crescimento, tempo de justiça, Áyrá é a verdadeira justiça.

Influência de Èsú:

Lado Positivo: Neste caminho, Èsú só faz confirmar portas abertas, será ano de decisões, firmamento.

Lado Negativo: Neste caminho temos que ter cuidado com, problemas na justiça, mudanças no trabalho ou decisões na vida.

Influência de Nànà e Òbálùaíyè:

Lado Positivo: Neste caminho teremos grandes oportunidades, com mudanças de hábitos teremos saúde.

Lado Negativo: Neste caminho devemos ter cuidado com as enfermidades, não existentes, e já existentes em nossos caminhos, todo cuidado é pouco, aconteceram possíveis perdas, por isso será de extrema importância um cuidado ainda maior com a saúde, com a fé.

Òrísá regente 2018:

Áyrá

Òrísás influentes:

Èsú
Nànà
Òbálùaíyè

Saudação a Áyrá:

Áyrá lè, Áyrá pónòn Òpúkòdè – significado: Assim Áyrá ficará muito feliz.

Um Orixá de bondade e compaixão, assim é Áyrá, o responsável pelos ventos e aquele que espalha a paz de Oxalá.

Por. Bábálórìsá Rafael Cirne L'Òmín T'Òsún.

Ilè Asé Iyá Omífáláyò

domingo, 5 de novembro de 2017

Abiyan-Ketu/Nagô: Seus Deveres e Responsabilidades.

O Abiyan é toda pessoa que depois de fazer uma consulta através dos búzios com o Babalorixá ou Iyalorixá, tenha tomado no mínimo um Obí e tenha um fio de contas lavado de Oxalá..

Os procedimentos e comportamentos básicos do Abiyan:

Estar vestido de branco principalmente se a casa for de Oxalá, ressaltando que:

Homens – calça e camisa branca;
Mulheres – Saia/camisu branco, calsolão, singuê;

Ao chegar ir direto beber um copo d’água para esfriar o corpo da rua, sem fazer paradas e evitar qualquer conversa; Tomar seu banho de ervas e colocar sua roupa de morin; Bater a cabeça no Axé, na porta dos quartos de Santo; para o Babá/Iyá, “trocar” à benção com TODOS os seus irmãos, sendo por ordem hierárquica (dos mais velhos aos mais novos), de acordo com a ordem iniciada; Perguntar ao Babá/Iyá, sobre a função que deverá fazer na Casa; muitas vezes por ordem do Babá/Iyá, as funções podem ser determinadas pelas Ajoiês (Ekédis) da Casa. O Abiyan deverá fazer suas refeições sentado na ení (esteira), e assim que terminarem, deverão levantar as mesmas e guardá-las. Não devem colocar os pés calçados nas enís; O Abiyan somente poderá dormir em ení, caso se faça necessário terá a autorização do Babá/Iyá para dormir nos quartos dos Orisás; O Abiyan ao acordar não deve falar com ninguém, deve antes beber um pouco de água: isso é para apagar os vestígios ou traços negativos provocados pelo mau hálito; O Abiyan não deve ocultar do Babá/Iyá qualquer tipo de dúvida, problema e mal entendido; O Abiyan não deve fumar na frente de seu Babá/Iyá; O Abiyan nunca fica de pé em frente ao Babá/Iyá e sim agachado, com a cabeça baixa; O Abiyan nunca interrompe o Babá/Iyá quando estiver conversando com alguém. Quando tiver visita no barracão (egbomis, ekedes, ogans, zeladores), seja em dia de festa ou em dia corriqueiro, é correto que os filhos se abaixem próximo a ele para dirigir a palavra. Diz então: “AGÔ” (licença), espera ele dizer “AGÔ YA” e de cabeça baixa falar com ele em tom de voz baixa; O Abiyan não deve passar pelo o Babá/Iyá com a cabeça erguida, e sim um pouco curvado para frente; O Abiyan sempre que for servir o Babá/Iyá, deve-se levar o pedido numa bandeja ou prato e abaixar-se para servir; O Abiyan só deverá entrar nas rodas de Xirê se forem chamados pelo Baba/Iyalorixá; O Abiyan tem suas funções na casa relacionadas à limpeza e manutenção, salvo se for um Abiyan antigo e de confiança poderá exercer outras funções; O Abiyan não tem Orixá definido ainda, por isso é denominado um Abiyan (aquele que está começando em um novo caminho) mesmo que venha de outra casa; O Abiyan deverá sempre pedir “Agô” para entrar e sair de cada ambiente do terreiro e esperar a resposta, “Agô ya” de um mais velho; O Abiyan só poderá ir embora com autorização do Baba/Iyalorixá; O Abiyan não questiona rituais litúrgicos de sua casa, respeita a hierarquia e se coloca sempre no seu lugar; O Abiyan deve aproveitar o máximo este período de aprendizado, humildade e retidão, pois é neste momento que irão refletir quanto a futura iniciação, as responsabilidades do que é ser um Adôxu, um Iyawó. A vivência no axé, a disciplina, observar o comportamento dos mais velhos, ser verdadeiro com seus sentimentos para com o Orixá, estar despojado de vaidades, e entender que o mais importante não é “fazer o santo e sim saber o porquê de se iniciar para o santo”. Não há pressa para iniciação, Orixá entende e nos concede essa oportunidade de aperfeiçoamento e adaptação, salvo as raras exceções.
Ser um bom Abiyan é estar se preparando para no futuro ser um bom Iyawó e assim como ser for um bom Iyawó é estar se preparando para ser um bom Ègbón.

JOGO DE BÚZIOS!

✨ Não aceite viver sem direção… Se algo não está fluindo na sua vida, existe um motivo — e também existe um caminho. Através do ...